http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/2010/02/15/04021B3766C8B13326.jhtm
Fonte: O Estado de S. Paulo - 25/03/2010
Para agilizar o trâmite da concessão de empréstimos aos imóveis que comercializa, a imobiliária Lopes, de São Paulo, criou, em 2007, a CrediPronto. De lá para cá, a financeira, que conta com uma participação de 50% do Banco Itaú Unibanco em seu capital, cresceu rapidamente, chegando a um faturamento de R$ 204 milhões em 2010. O valor corresponde a cerca de 25% do total financiado pela imobiliária em 2009. "Nosso tempo médio para liberação do financiamento é de 20 dias, contra a média de 60 dias em outros bancos", diz Rodrigo Gordinho, diretor comercial da CrediPronto. Com o aquecimento do setor, a expectativa é faturar R$ 350 milhões em 2010, 72% a mais que em 2009.
O recorde de vendas apurado pela MRV Engenharia no primeiro trimestre do ano garantiu à construtora e incorporadora um salto de 136,4% em seu lucro líquido, que alcançou R$ 115,8 milhões, melhor resultado para o período.
De janeiro a março, a empresa contabilizou vendas contratadas de R$ 732,7 milhões, cifra 70,4% maior em relação ao vendido no mesmo intervalo do ano passado.
"O mercado está forte... Vimos recuperação total da demanda neste trimestre", disse o vice-presidente financeiro da MRV, Leonardo Corrêa, em entrevista à Reuters.
A geração de caixa da companhia, medida pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), cresceu 147,4% no primeiro trimestre na comparação anual, para R$ 149,6 milhões.
A margem Ebitda, por sua vez, ficou em 26,3% no período encerrado em março, alta de 4,1 pontos percentuais ano a ano. A companhia informou que mantém a projeção de margem Ebitda entre 25% e 28% este ano.
Segundo o executivo, o forte volume de chuvas no início do ano influenciou o prazo de entrega de empreendimentos e, consequentemente, levou a uma queda no lucro e no Ebitda ante o último trimestre de 2009.
Já a receita líquida da MRV avançou 108,7% ante o primeiro trimestre do ano passado, totalizando R$ 568,5 milhões.
Para este ano, Corrêa reafirmou as metas de vendas contratadas, que devem ficar entre R$ 3,7 bilhões e R$ 4,3 bilhões.
Os lançamentos, segundo ele, devem atingir "pelo menos R$ 4,5 bilhões" em Valor Geral de Vendas (VGV) em 2010, considerando o ponto médio da estimativa de vendas para o ano.
Do total a ser lançado, 85% ficará enquadrado no programa do governo federal "Minha Casa, Minha Vida". No primeiro trimestre deste ano, os lançamentos somaram R$ 606,1 milhões.
Para cumprir a meta de lançamentos, Corrêa disse que será necessário ampliar o atual banco de terrenos da empresa, que contava com potencial para lançamentos de R$ 11 bilhões ao final de março.
"Não temos certeza se isso vai consumir caixa. Geramos caixa com operações recentes", afirmou, referindo-se a recebíveis e à emissão de R$ 518 milhõesem debêntures.
A disponibilidade de caixa da MRV no final do primeiro trimestre era de R$ 1,226 bilhão, aumento de 71,8% em relação a dezembro.
Questionado sobre possíveis movimentos de aquisição ou associação a outros representantes do setor --a exemplo da PDG Realty, que na terça-feira adquiriu a Agre--, Corrêa descartou qualquer forma de crescimento que não seja orgânica.
"Nossa escolha é por crescer organicamente. Estamos vendo enorme oportunidade para baixa renda no mercado e alocamos nossos esforços nesse objetivo, sem precisar crescer de outra forma."
Caixa
No primeiro trimestre, a MRV implantou o projeto Correspondente Imobiliário junto à Caixa Econômica Federal, com o objetivo de acelerar a conclusão dos processos de financiamento.
O projeto, ainda em fase de testes, permite que a própria construtora cadastre e realize o processo de aprovação de crédito de potenciais clientes. À Caixa, cabe a conferência de dados e a aprovação do financiamento.
"O maior impacto (do projeto) é na velocidade de assinatura do contrato, contribuindo para o fluxo de caixa da empresa. É uma resposta no sentido de conseguir elevar produtividade e acelerar o número de contratos", disse o vice-presidente da MRV.
A construção civil contratou 45.704 trabalhadores com carteira assinada em março no país, com um aumento de 1,79% no nível do emprego em comparação com fevereiro. Com isso, o número de empregados formais no setor foi recorde, somando 2,604 milhões.
No acumulado do primeiro trimestre, a alta é de 6%, período em que foram formalizados 147.517 trabalhadores. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), em conjunto com a FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Em 12 meses, o nível de emprego no setor aumentou 14,19%, o que corresponde a mais 323.639 trabalhadores empregados.
"O esforço que estamos fazendo agora é de dar treinamento para esse pessoal. Com o apoio do Senai-SP, a construção paulista está iniciando um programa de treinamento dos trabalhadores dentro dos próprios canteiros de obras", diz o presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe.
No Estado de São Paulo, o nível de emprego na construção em março aumentou 1,65%, com acréscimo de 11.695 vagas. O número de trabalhadores ficou em 721.170, também recorde na série histórica. No ano, a alta foi de 5,6% (mais 38.220 empregados). Em 12 meses, a elevação chegou a 12,55% (mais 80.432 postos de trabalho).
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